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📚 Grimórios

Monas Hieroglyphica: o símbolo secreto de John Dee

A Monas Hieroglyphica de John Dee (Antuérpia, 1564): o símbolo da mónada, os 24 teoremas, a influência rosa-cruz e a diferença para os livros enoquianos.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha do grimório
  2. Como foi escrito
  3. O símbolo da mónada
  4. O que contém
  5. A mónada e os livros enoquianos
  6. Influência
  7. Curiosidades
  8. Edições e traduções
  9. Onde ler
  10. Continue a ler
  11. Fontes

A Monas Hieroglyphica («A Mónada Hieroglífica») é um pequeno livro em latim publicado por John Dee em 1564. Gira à volta de um único desenho: um símbolo inventado por Dee, que ele acreditava resumir o universo.

Não é um livro de feitiços nem de invocações. É um tratado simbólico, cheio de geometria, astrologia, alquimia e Cabala cristã — e um dos textos mais enigmáticos do Renascimento.

Também não deve ser confundido com os livros enoquianos, que Dee registou mais tarde, a partir de 1582.

Ficha do grimório

Campo Informação
Título A Mónada Hieroglífica
Nome original Monas Hieroglyphica (latim)
Período Escrita em janeiro de 1564; impressa no mesmo ano
Origem Antuérpia, impressor Willem Silvius
Autoria John Dee (1527–1608/1609)
Idioma Latim
Tipo Tratado simbólico, hermético e alquímico

Como foi escrito

Dee tinha 37 anos e estava em Antuérpia. Segundo o próprio, escreveu o livro em doze dias, de 13 a 25 de janeiro de 1564, num estado de inspiração: dizia ser apenas a pena através da qual Deus escrevia.

Dedicou-o ao imperador Maximiliano II, à procura de um protetor. A obra abre com uma carta ao imperador e instruções ao impressor sobre como reproduzir os desenhos com exatidão.

➜ John Dee e Edward Kelley

O símbolo da mónada

«Mónada» significa unidade. O símbolo junta, num só desenho, sinais já conhecidos na astrologia e na alquimia:

Elemento Leitura de Dee
Círculo com ponto O Sol
Meia-lua A Lua
Cruz Os quatro elementos
Sinal de Carneiro (em baixo) O fogo

Juntando as partes, o desenho lembra também o glifo de Mercúrio, o metal e o deus que na alquimia une os contrários.

Para Dee, este sinal era uma espécie de escrita universal: quem o compreendesse poderia ligar matemática, astronomia, alquimia e teologia.

➜ Símbolos dos planetas

O que contém

O livro está organizado em 24 teoremas, à maneira de um livro de geometria. O primeiro afirma que tudo pode ser representado a partir da reta e do círculo.

Os teoremas seguintes decompõem o símbolo, jogam com letras latinas, números e proporções, e ligam cada parte a planetas, elementos e operações alquímicas.

O texto é deliberadamente obscuro. Até hoje, os estudiosos não concordam sobre o que Dee queria exatamente dizer.

A mónada e os livros enoquianos

São duas fases diferentes da vida de Dee.

  • 1564 — Monas Hieroglyphica: obra de um erudito, impressa e assinada, sobre um símbolo.
  • Desde 1582 — diários angélicos: sessões com o vidente Edward Kelley, em que Dee registou mensagens que atribuía a anjos, incluindo uma língua própria, o enoquiano.

Os diários ficaram em manuscrito. Parte foi publicada em 1659 por Méric Casaubon, com uma introdução hostil, no livro A True & Faithful Relation.

➜ Magia enoquiana

Influência

  • O símbolo da mónada aparece nas Núpcias Químicas de Christian Rosenkreutz (1616), um dos textos fundadores do movimento rosa-cruz.
  • Na América colonial, John Winthrop, o Jovem, usou a mónada como marca pessoal.
  • No renascimento ocultista dos séculos XIX e XX, o sinal voltou a ser usado como emblema hermético.

➜ Rosa-Cruz

Curiosidades

  • Dee considerou este livro uma das suas obras mais importantes até ao fim da vida.
  • Seis anos depois, em 1570, escreveu o famoso Prefácio Matemático à tradução inglesa de Euclides — sinal de que o mesmo homem era matemático, astrólogo e místico.

Edições e traduções

  • C. H. Josten, 1964 — tradução inglesa anotada, publicada na revista Ambix; é a edição académica de referência.
  • J. W. Hamilton-Jones, 1947 — primeira tradução inglesa divulgada.
  • Teresa Burns e Nancy Turner, 2021 — nova tradução académica.

Onde ler

O texto latino de 1564 está em domínio público. O site Esoteric Archives, de Joseph H. Peterson, reúne o texto com uma tradução inglesa e notas.

Continue a ler

➜ Biblioteca de grimórios

➜ Livro de Soyga, o livro de John Dee

➜ Magia renascentista

➜ Steganographia de Tritémio

Fontes

  • John Dee, Monas Hieroglyphica (1564), ed. Joseph H. Peterson — esotericarchives.com
  • C. H. Josten, «A Translation of John Dee's Monas Hieroglyphica (Antwerp, 1564)», Ambix, 12, 1964.
  • «Monas Hieroglyphica», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «John Dee», Wikipedia — en.wikipedia.org

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