A Pseudomonarchia Daemonum é um catálogo de 69 demónios, com os seus nomes, títulos, aparências e supostos poderes. Foi publicada em 1577 como apêndice de uma obra do médico Johann Weyer.
O curioso é o propósito. Weyer não acreditava naquilo que publicava. O título — «a falsa monarquia dos demónios» — já é uma troça. Quis mostrar ao público a vaidade e os enganos dos magos.
Ironia da história: o catálogo tornou-se uma das bases da Goécia, um dos grimórios mais usados pelos ocultistas modernos.
Ficha do grimório
| Campo | Informação |
|---|---|
| Título | Pseudomonarchia Daemonum |
| Tradução | «A falsa monarquia dos demónios» |
| Período | Publicada em 1577 |
| Origem | Apêndice de De praestigiis daemonum, de Johann Weyer |
| Autoria | Weyer como editor; fonte manuscrita anterior, anónima |
| Idioma | Latim; tradução inglesa em 1584 (Reginald Scot) |
| Tipo | Catálogo de demónios (demonologia) |
Quem foi Johann Weyer
Johann Weyer (ou Wier) nasceu em 1515, em Grave, no Brabante, e morreu em 1588, em Tecklenburg. Em jovem foi aluno e hóspede de Cornélio Agrippa, em Antuérpia.
Formou-se em medicina e, a partir de 1550, foi médico da corte do duque Guilherme de Cleves.
Weyer contra a caça às bruxas
Em 1563 publicou De praestigiis daemonum («Sobre as ilusões dos demónios»). Weyer acreditava no diabo, como quase todos no seu tempo. Mas defendia que as mulheres acusadas de bruxaria não tinham poderes reais.
Muitas seriam, dizia, pessoas doentes — sobretudo de «melancolia», a categoria médica da época para vários sofrimentos mentais — e as suas confissões não provavam nada. Por isso pedia clemência para elas.
É por esta razão que Weyer é muitas vezes lembrado como um precursor da psiquiatria. A obra foi atacada por Jean Bodin, pelo médico Thomas Erastus e pelo rei Jaime VI da Escócia.
Porque publicou uma lista de demónios
Na edição de 1577, Weyer juntou-lhe o catálogo. No prefácio explica que queria expor à luz do dia as «curiosidades, enganos, vaidades e imposturas» dos magos.
Diz também que cortou passagens de propósito, para que o texto não pudesse ser usado por curiosos.
De onde veio o catálogo
Weyer diz ter copiado um manuscrito intitulado Liber officiorum spirituum («Livro dos ofícios dos espíritos»), atribuído a Salomão. Este tipo de lista circulava pelo menos desde o século XV: um texto francês dessa época, o Livre des Esperitz, é aparentado.
A atribuição a Salomão é lendária. O catálogo é uma criação da demonologia medieval tardia.
➜ O rei Salomão na tradição mágica
O que contém
Descrevemos o conteúdo; não ensinamos invocações.
- 69 demónios, organizados como uma corte: reis, duques, marqueses, condes e presidentes;
- Para cada um, o título, o número de «legiões» que comandaria, a forma em que apareceria e os saberes ou poderes que lhe eram atribuídos;
- O primeiro da lista é Bael, com o título de rei.
Aparecem nomes com longa história, como Bael, Astaroth e Asmodeu, cujas raízes estão em divindades antigas e em textos bíblicos.
➜ Astaroth
➜ Asmodeu
Pseudomonarchia e Goécia: não confundir
| Obra | Diferenças |
|---|---|
| Pseudomonarchia (1577) | 69 demónios; sem selos; inclui Pruflas |
| Goécia (séc. XVII) | 72 espíritos; cada um com o seu selo; outra ordem |
A Goécia, primeira parte do Lemegeton, segue de perto o catálogo de Weyer, mas é posterior e acrescenta os selos, muda alguns nomes e chega aos 72 espíritos.
➜ Goécia
➜ Lemegeton, a Chave Menor de Salomão
A tradução de Reginald Scot
Em 1584, o inglês Reginald Scot publicou The Discoverie of Witchcraft, também cético em relação à bruxaria e muito inspirado em Weyer. Incluiu uma tradução inglesa do catálogo, com vários erros, que o levou ao mundo anglófono.
Onde ler
O texto latino de 1577 e a tradução de Scot (1584) estão em domínio público. Podem ler-se no site Esoteric Archives, na edição de Joseph H. Peterson.
Continue a ler
➜ Manual de Necromancia de Munique
Fontes
- Johann Weyer, Pseudomonarchia Daemonum, com a tradução de R. Scot (1584), ed. Joseph H. Peterson — esotericarchives.com
- «Pseudomonarchia Daemonum», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Johann Weyer», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Reginald Scot, The Discoverie of Witchcraft, Londres, 1584.