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📚 Grimórios

Pseudomonarchia Daemonum: a «falsa monarquia dos demónios»

Pseudomonarchia Daemonum (1577): o catálogo de 69 demónios que Johann Weyer publicou para expor a magia, a sua ligação à Goécia e a luta de Weyer contra a caça às bruxas.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha do grimório
  2. Quem foi Johann Weyer
  3. Weyer contra a caça às bruxas
  4. Porque publicou uma lista de demónios
  5. De onde veio o catálogo
  6. O que contém
  7. Pseudomonarchia e Goécia: não confundir
  8. A tradução de Reginald Scot
  9. Onde ler
  10. Continue a ler
  11. Fontes

A Pseudomonarchia Daemonum é um catálogo de 69 demónios, com os seus nomes, títulos, aparências e supostos poderes. Foi publicada em 1577 como apêndice de uma obra do médico Johann Weyer.

O curioso é o propósito. Weyer não acreditava naquilo que publicava. O título — «a falsa monarquia dos demónios» — já é uma troça. Quis mostrar ao público a vaidade e os enganos dos magos.

Ironia da história: o catálogo tornou-se uma das bases da Goécia, um dos grimórios mais usados pelos ocultistas modernos.

Ficha do grimório

Campo Informação
Título Pseudomonarchia Daemonum
Tradução «A falsa monarquia dos demónios»
Período Publicada em 1577
Origem Apêndice de De praestigiis daemonum, de Johann Weyer
Autoria Weyer como editor; fonte manuscrita anterior, anónima
Idioma Latim; tradução inglesa em 1584 (Reginald Scot)
Tipo Catálogo de demónios (demonologia)

Quem foi Johann Weyer

Johann Weyer (ou Wier) nasceu em 1515, em Grave, no Brabante, e morreu em 1588, em Tecklenburg. Em jovem foi aluno e hóspede de Cornélio Agrippa, em Antuérpia.

Formou-se em medicina e, a partir de 1550, foi médico da corte do duque Guilherme de Cleves.

➜ Cornélio Agrippa

Weyer contra a caça às bruxas

Em 1563 publicou De praestigiis daemonum («Sobre as ilusões dos demónios»). Weyer acreditava no diabo, como quase todos no seu tempo. Mas defendia que as mulheres acusadas de bruxaria não tinham poderes reais.

Muitas seriam, dizia, pessoas doentes — sobretudo de «melancolia», a categoria médica da época para vários sofrimentos mentais — e as suas confissões não provavam nada. Por isso pedia clemência para elas.

É por esta razão que Weyer é muitas vezes lembrado como um precursor da psiquiatria. A obra foi atacada por Jean Bodin, pelo médico Thomas Erastus e pelo rei Jaime VI da Escócia.

➜ A caça às bruxas na Europa

➜ Malleus Maleficarum

Porque publicou uma lista de demónios

Na edição de 1577, Weyer juntou-lhe o catálogo. No prefácio explica que queria expor à luz do dia as «curiosidades, enganos, vaidades e imposturas» dos magos.

Diz também que cortou passagens de propósito, para que o texto não pudesse ser usado por curiosos.

Weyer diz ter copiado um manuscrito intitulado Liber officiorum spirituum («Livro dos ofícios dos espíritos»), atribuído a Salomão. Este tipo de lista circulava pelo menos desde o século XV: um texto francês dessa época, o Livre des Esperitz, é aparentado.

A atribuição a Salomão é lendária. O catálogo é uma criação da demonologia medieval tardia.

➜ O rei Salomão na tradição mágica

O que contém

Descrevemos o conteúdo; não ensinamos invocações.

  • 69 demónios, organizados como uma corte: reis, duques, marqueses, condes e presidentes;
  • Para cada um, o título, o número de «legiões» que comandaria, a forma em que apareceria e os saberes ou poderes que lhe eram atribuídos;
  • O primeiro da lista é Bael, com o título de rei.

Aparecem nomes com longa história, como Bael, Astaroth e Asmodeu, cujas raízes estão em divindades antigas e em textos bíblicos.

➜ Baal e Bael

➜ Astaroth

➜ Asmodeu

Pseudomonarchia e Goécia: não confundir

Obra Diferenças
Pseudomonarchia (1577) 69 demónios; sem selos; inclui Pruflas
Goécia (séc. XVII) 72 espíritos; cada um com o seu selo; outra ordem

A Goécia, primeira parte do Lemegeton, segue de perto o catálogo de Weyer, mas é posterior e acrescenta os selos, muda alguns nomes e chega aos 72 espíritos.

➜ Goécia

➜ Lemegeton, a Chave Menor de Salomão

A tradução de Reginald Scot

Em 1584, o inglês Reginald Scot publicou The Discoverie of Witchcraft, também cético em relação à bruxaria e muito inspirado em Weyer. Incluiu uma tradução inglesa do catálogo, com vários erros, que o levou ao mundo anglófono.

Onde ler

O texto latino de 1577 e a tradução de Scot (1584) estão em domínio público. Podem ler-se no site Esoteric Archives, na edição de Joseph H. Peterson.

Continue a ler

➜ Biblioteca de grimórios

➜ Demonologia

➜ Anjos, demónios e entidades

➜ Manual de Necromancia de Munique

Fontes

  • Johann Weyer, Pseudomonarchia Daemonum, com a tradução de R. Scot (1584), ed. Joseph H. Peterson — esotericarchives.com
  • «Pseudomonarchia Daemonum», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Johann Weyer», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Reginald Scot, The Discoverie of Witchcraft, Londres, 1584.

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