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📚 Grimórios

O Livro da Magia Sagrada de Abramelin, o Mago

O Livro da Magia Sagrada de Abramelin: manuscritos alemães de c. 1608, Abraão de Worms, a tradução de Mathers (1898), a edição de Dehn e a influência em Crowley.

5 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha do grimório
  2. A lenda de Abraão de Worms
  3. Origem real: os manuscritos
  4. O que contém
  5. Edições
  6. Influência
  7. A lenda de Boleskine
  8. Curiosidades
  9. Onde ler
  10. Continue a ler
  11. Fontes

O Livro de Abramelin conta a história de um judeu de Worms, Abraão, que teria aprendido com um mago egípcio chamado Abramelin um caminho para conhecer o seu Santo Anjo Guardião.

É um grimório diferente dos outros. Em vez de receitas rápidas, descreve um longo retiro de oração e pureza, que dura meses. Só no fim entram os espíritos e os famosos quadrados de letras.

Ficou célebre no século XX graças ao ocultista Aleister Crowley e à Golden Dawn. Mas a sua história real é mais recente do que o livro afirma.

Ficha do grimório

Campo Informação
Título O Livro da Magia Sagrada de Abramelin, o Mago
Nome original Títulos variam; conhecido como Buch Abramelin (alemão)
Período Manuscritos mais antigos: c. 1608; data interna «1458»
Origem Mundo germânico
Autoria Atribuída a Abraão de Worms; autor real desconhecido
Idiomas Alemão; cópias em francês, hebraico e italiano
Tipo Magia cerimonial angélica e operativa

A lenda de Abraão de Worms

Segundo o próprio livro, Abraão nasceu em 1362, viajou pela Europa e pelo Egito à procura de sabedoria e encontrou Abramelin perto do Nilo. Em 1458, com 96 anos, teria escrito tudo para o filho, Lamech.

Isto é a narrativa do livro, não um facto histórico. Não há documentos independentes que provem a existência de Abraão de Worms nem de Abramelin.

O editor Georg Dehn propôs que o autor fosse o rabino Yaakov Moelin (c. 1365–1427), de Mainz. Esta identificação foi contestada por outros investigadores.

Origem real: os manuscritos

Facto documentado: as cópias mais antigas conhecidas são dois manuscritos alemães de cerca de 1608, guardados em Wolfenbüttel. Há outros dois em Dresden, de cerca de 1700 e 1750. Os estudiosos consideram os manuscritos alemães os textos de referência.

Uma edição impressa em alemão saiu em 1725, com a indicação «Colónia, Peter Hammer».

Existem ainda:
- uma cópia hebraica parcial (Oxford, c. 1740), só com o primeiro livro;
- um manuscrito francês do século XVIII na Biblioteca do Arsenal, em Paris;
- um manuscrito italiano do século XVII, encontrado em Bréscia em 2009.

Estudos recentes situam a redação do texto por volta de 1600, e não no século XV.

O que contém

A versão alemã tem quatro livros; a francesa, usada por Mathers, só três.

Livros I e II — a vida e o caminho

A autobiografia de Abraão, as suas viagens, os falsos mestres que diz ter encontrado e conselhos ao filho. Segue-se a descrição geral da grande operação.

A operação

É um período de recolhimento que, na versão francesa, dura seis meses e, nas alemãs, dezoito meses. Pede isolamento progressivo, oração diária, abstinência, um oratório reservado e uma vida cada vez mais retirada.

O objetivo é alcançar o «conhecimento e conversação» com o Santo Anjo Guardião. Só depois, segundo o livro, o praticante estaria preparado para dominar espíritos inferiores.

Descrevemos a operação em traços gerais, como objeto de estudo. Não a ensinamos. O isolamento e a privação prolongados podem ser prejudiciais para a saúde física e mental.

➜ Oração ao Anjo da Guarda

Os quadrados de letras

A última parte traz centenas de quadrados de letras: grelhas em que palavras se leem na horizontal e na vertical, à maneira do célebre quadrado latino SATOR. Cada quadrado estaria associado a um efeito — encontrar tesouros, curar, voar, tornar-se invisível.

Não são quadrados numéricos, como os dos planetas em Agrippa. Muitas das palavras parecem derivar do hebraico, mas o seu sentido é muitas vezes obscuro, e as versões divergem bastante entre si.

➜ Cabala

Edições

  • S. L. MacGregor Mathers, The Book of the Sacred Magic of Abra-Melin the Mage, Londres, 1898, traduzido do manuscrito francês do Arsenal (c. 1750). Mathers julgava que era a única cópia existente.
  • Georg Dehn (ed.), The Book of Abramelin, trad. inglesa de Steven Guth, 2006: a primeira edição inglesa completa a partir das fontes alemãs, com os quatro livros.

Em português circulam sobretudo traduções feitas a partir de Mathers.

Influência

Mathers foi um dos fundadores da Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn), e a sua tradução tornou o livro central no ocultismo inglês.

Aleister Crowley fez do «conhecimento e conversação com o Santo Anjo Guardião» uma ideia-chave do seu sistema. A expressão continua a ser usada na magia cerimonial moderna.

➜ Magia cerimonial

A lenda de Boleskine

Em 1899, Crowley comprou Boleskine House, à beira do Loch Ness, na Escócia, para realizar a operação de Abramelin. Isto está documentado.

O resto é lenda. Conta-se que Crowley interrompeu a operação para ir a Paris e que deixou os espíritos «soltos» na casa. Moradores posteriores relataram fenómenos estranhos. Não há qualquer prova disso.

A casa sofreu grandes incêndios em 2015 e 2019 e foi depois restaurada por uma fundação.

➜ PortugalParanormal.pt

Curiosidades

  • Mathers trabalhou apenas com a cópia francesa e não conhecia os manuscritos alemães, mais completos.
  • A figura de Abramelin nunca aparece fora deste livro.

Onde ler

A tradução de Mathers (1898), em domínio público, está disponível gratuitamente no site Esoteric Archives, numa edição digital de Joseph H. Peterson. A edição de Dehn continua protegida por direitos de autor.

Continue a ler

➜ Três Livros de Filosofia Oculta, de Agrippa

➜ Heptameron ou Elementos Mágicos

➜ Chave de Salomão

➜ Biblioteca de grimórios

Fontes

  • S. L. MacGregor Mathers (trad.), The Book of the Sacred Magic of Abramelin the Mage, 1898, ed. digital de Joseph H. Peterson — esotericarchives.com
  • «The Book of Abramelin», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Boleskine House», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Georg Dehn (ed.), The Book of Abramelin: A New Translation, trad. Steven Guth, 2006.

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