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📚 Grimórios

O Manual de Necromancia de Munique (Clm 849)

O Manual de Necromancia de Munique (Clm 849): um manuscrito latino do séc. XV sobre conjuração de demónios, estudado por Richard Kieckhefer em Forbidden Rites.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha do grimório
  2. O que «necromancia» queria dizer
  3. Quem o escreveu
  4. O que contém
  5. Porque é importante para a história
  6. Forbidden Rites (1997)
  7. Onde ler
  8. Continue a ler
  9. Fontes

Na Biblioteca Estatal da Baviera, em Munique, guarda-se um manuscrito do século XV com a cota Clm 849. Não tem título nem autor, porque lhe faltam as primeiras folhas. É hoje conhecido como Manual de Necromancia de Munique.

É um dos raros livros de trabalho de um necromante medieval que chegaram até nós quase completos. Não é um tratado teórico: é um caderno prático, com conjurações, círculos e «experiências».

A sua fama deve-se a um historiador: Richard Kieckhefer, que o editou e estudou no livro Forbidden Rites («Ritos proibidos»).

Ficha do grimório

Campo Informação
Título Manual de Necromancia de Munique
Nome original Sem título (manuscrito truncado)
Cota Clm 849, Bayerische Staatsbibliothek
Período Século XV
Origem Europa central; compilado a partir de várias fontes
Autoria Desconhecida; provavelmente um clérigo
Idiomas Latim, com apêndices em alemão e italiano
Tipo Necromancia (conjuração de demónios)

O que «necromancia» queria dizer

Na Antiguidade, necromancia era adivinhar através dos mortos. Na Idade Média tardia, a palavra mudou de sentido: passou a designar sobretudo a conjuração de demónios.

É nesse sentido medieval que se fala do manual de Munique. O texto quase não trata de mortos; trata de espíritos que o operador julgava poder obrigar pela força de nomes sagrados.

➜ Magia medieval

➜ Demonologia

Quem o escreveu

O autor é desconhecido. Pelo latim e pela linguagem litúrgica, Kieckhefer considera que o compilador era provavelmente um clérigo.

Isto encaixa numa ideia que o historiador defendeu noutros estudos: a necromancia medieval vivia num «submundo clerical» — padres e estudantes com formação em latim e em ritos da Igreja, que adaptavam exorcismos e orações a fins proibidos.

O texto parece reunir materiais de várias fontes anteriores, e não ser obra de uma só pessoa.

O que contém

Descrevemos o conteúdo como documento histórico. Não reproduzimos as fórmulas.

  • Orações e conjurações, muitas decalcadas da liturgia católica;
  • Mais de 40 desenhos de círculos mágicos e sinais;
  • Uma lista de espíritos, alguns com nomes que também aparecem na Goécia;
  • Cerimónias longas para consagrar um livro de magia;
  • Elementos de magia astral e de magia simpática.

Kieckhefer arruma as «experiências» em três grupos:

Tipo Exemplos no manuscrito
Ilusões Fazer aparecer castelos, banquetes ou um cavalo que voa
Psicológicas Tentar dominar a vontade ou os afetos de outra pessoa
Adivinhação Obter respostas de espíritos através de um espelho, um cristal ou uma unha polida

A adivinhação é o grupo mais numeroso. Muitos procedimentos pediam animais ou pretendiam manipular pessoas; ficam aqui apenas como registo de mentalidades de outra época.

➜ Goécia

➜ O círculo mágico

Porque é importante para a história

A maioria dos grimórios famosos chegou-nos em cópias tardias, dos séculos XVII e XVIII. O Clm 849 é diferente: é um manual do século XV, contemporâneo das primeiras grandes perseguições à bruxaria.

Mostra que a imagem do mago medieval não era só invenção dos inquisidores. Havia pessoas que copiavam e usavam estes textos. Ao mesmo tempo, Kieckhefer sublinha que o manuscrito é representativo, não excecional: só tinha clientes porque a sociedade inteira levava a necromancia a sério.

➜ A caça às bruxas na Europa

➜ Malleus Maleficarum

Forbidden Rites (1997)

O estudo de Richard Kieckhefer, historiador da Northwestern University, saiu em 1997 (Sutton, Reino Unido) e na Penn State University Press, na coleção Magic in History. Inclui o texto latino, tradução inglesa de partes, comentário e comparação com outros textos necromânticos.

É hoje uma obra de referência para quem estuda a magia medieval.

Onde ler

O manuscrito pertence à Biblioteca Estatal da Baviera. A edição de Kieckhefer está protegida por direitos de autor e não existe tradução portuguesa.

Continue a ler

➜ Biblioteca de grimórios

➜ A Chave de Salomão

➜ Pseudomonarchia Daemonum de Johann Weyer

➜ Magia cerimonial

Fontes

  • Richard Kieckhefer, Forbidden Rites: A Necromancer's Manual of the Fifteenth Century, Stroud, Sutton / University Park, Penn State University Press, 1997 — psupress.org
  • Registo bibliográfico, Wellcome Collection — wellcomecollection.org
  • Recensão de Forbidden Rites, The Medieval Review — scholarworks.iu.edu
  • «Munich Manual of Demonic Magic», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Richard Kieckhefer, Magic in the Middle Ages, Cambridge University Press, 1989.

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