Fogo, água, ar e terra. Durante mais de dois mil anos, a Europa acreditou que tudo o que existe era feito destes quatro elementos. A ciência abandonou essa ideia, mas ela continua viva na linguagem, no folclore e nas tradições esotéricas.
Esta secção reúne os elementos e também outras forças da natureza, lugares e tempos que a tradição mágica considera especiais: o Sol, a Lua, a noite, a encruzilhada e o cemitério.
Em todas as páginas separamos três coisas: o que é história (o que os filósofos e médicos antigos pensavam), o que é folclore (o que o povo português fazia e acreditava) e o que são convenções esotéricas modernas (as correspondências usadas hoje na magia).
De onde vem a ideia dos quatro elementos
O filósofo grego Empédocles, que viveu na Sicília no século V a.C., foi o primeiro a propor que o mundo era feito de quatro «raízes»: fogo, ar, água e terra. Duas forças, o Amor e a Discórdia, juntavam-nas e separavam-nas.
Aristóteles (século IV a.C.) deu a cada elemento duas qualidades (quente ou frio, seco ou húmido) e acrescentou um quinto elemento, o éter, de que seriam feitos os astros. Mais tarde, os latinos chamaram-lhe quintessência.
A medicina de Hipócrates e Galeno ligou os elementos aos quatro humores do corpo. A alquimia usou-os durante toda a Idade Média. E, a partir do século XIX, a magia cerimonial e depois a Wicca fizeram deles a base dos seus rituais.
➜ Os 4 elementos na magia: a história completa
Os quatro elementos
| Elemento | Em poucas palavras |
|---|---|
| Fogo | Quente e seco. Luz, calor, transformação. As fogueiras de São João e o lume da lareira. |
| Água | Fria e húmida. Purificação. A água benta, as fontes santas, o orvalho de São João. |
| Ar | Quente e húmido. Sopro, palavra, espírito. O incenso e a oração que «sobe». |
| Terra | Fria e seca. Estabilidade, corpo, colheita. O sal, as pedras, o pó. |
O quinto elemento e as direções
➜ Quintessência: o éter de Aristóteles e dos alquimistas
Os astros e o tempo
O Sol e a Lua são os dois astros que marcam o calendário humano. Aqui distinguimos sempre o facto astronómico (o que os astros são e como se movem) do símbolo (o que as culturas e a magia viram neles).
➜ O Sol na magia e na tradição
➜ A Lua na magia e na tradição
Para acompanhar as fases da Lua ao longo do ano:
Lugares de fronteira
A tradição popular sempre olhou com respeito, e às vezes com medo, para dois tipos de lugar: onde os caminhos se cruzam e onde repousam os mortos. Explicamos a história e as crenças, sem ensinar rituais nesses locais.
➜ O cemitério e o culto dos mortos
Facto, tradição e convenção
Quando se lê que «o fogo governa a paixão» ou que «a água rege as emoções», está-se perante uma correspondência esotérica moderna. Não é uma descoberta científica, nem sequer uma ideia antiga: foi organizada sobretudo por ordens ocultistas do século XIX, como a Golden Dawn, a partir de fontes mais antigas.
Isto não tira valor às correspondências. São uma linguagem simbólica útil para meditar, organizar um altar ou estudar a história do pensamento. Mas não são leis da natureza, e nenhum ritual garante resultados.
Uma prática simples para começar
Muitas pessoas começam a estudar os elementos com um pequeno exercício de observação:
- Acenda uma vela (fogo) em lugar seguro e com vigilância.
- Ponha ao lado um copo de água (água), um pouco de sal ou uma pedra (terra) e uma pena ou um pau de incenso (ar).
- Observe cada objeto uns minutos e escreva o que lhe sugere. Não há respostas certas.
➜ Como usar velas com segurança
➜ Como fazer o seu grimório pessoal
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➜ Alquimia
➜ Wicca
Fontes
- «Classical element», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Empedocles», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Aether (classical element)», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Israel Regardie, The Golden Dawn, 4 vols., 1937–1940