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📚 Grimórios

O Sexto e o Sétimo Livros de Moisés

Os Sexto e Sétimo Livros de Moisés: grimório alemão publicado por Scheible em 1849, falsa autoria de Moisés, selos, e a sua difusão na América, Caraíbas e África.

5 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha do grimório
  2. Moisés, o «mago»
  3. A origem real: Scheible, 1849
  4. O que contém
  5. A viagem do livro pelo mundo
  6. Um livro com má fama
  7. Onde ler
  8. Continue a ler
  9. Fontes

A Bíblia atribui a Moisés cinco livros: o Pentateuco. Desde cedo, porém, circularam histórias sobre livros secretos de Moisés, com os poderes que ele teria usado diante do faraó.

O Sexto e Sétimo Livros de Moisés é o mais famoso destes supostos livros perdidos. Foi publicado na Alemanha em 1849 e tornou-se um dos grimórios mais difundidos do mundo — da Pensilvânia à Jamaica, da Nigéria à Suécia.

Moisés não o escreveu. É um livro do século XIX, feito a partir de materiais mágicos europeus mais antigos.

Ficha do grimório

Campo Informação
Título Sexto e Sétimo Livros de Moisés
Nome original Das sechste und siebente Buch Mosis (alemão)
Período Publicado em 1849; materiais de origem dos séc. XVIII–XIX
Origem Alemanha (Estugarda)
Autoria Atribuída a Moisés; compilação anónima, editada por Johann Scheible
Idiomas Alemão; depois inglês (1880), sueco, finlandês e outros
Tipo Grimório de selos, conjurações e uso mágico dos Salmos

Moisés, o «mago»

No livro do Êxodo, Moisés e Aarão enfrentam os magos do faraó com prodígios. Já na Antiguidade, isto deu a Moisés fama de grande mago entre gregos, romanos e judeus.

Os papiros mágicos gregos (séculos II a.C.–V d.C.) incluem textos chamados «oitavo livro de Moisés». O nome de Moisés, tal como o de Salomão, servia para dar autoridade a um texto mágico.

➜ Chave de Salomão

➜ Magia egípcia

A origem real: Scheible, 1849

O livro foi impresso por Johann Scheible, editor e livreiro de Estugarda, no volume 6 da sua coleção Das Kloster («O Claustro»). Esta coleção reunia textos de magia e literatura popular alemã.

Segundo a Wikipédia, não se conhece nenhum manuscrito completo anterior a 1849. A pretensão de que o texto vem de Moisés, do Talmude ou de antigos manuscritos hebraicos é considerada pseudoepigráfica — isto é, uma falsa atribuição.

Os selos trazem inscrições apresentadas como hebraicas, o que reforçava a ilusão de antiguidade.

Nota: o nome do editor aparece por vezes escrito «Scheibel»; a grafia correta é Scheible.

O que contém

O subtítulo da edição americana apresenta o livro como a «arte mágica dos espíritos de Moisés», tirada da Cabala e do Talmude. A edição revista de Joseph H. Peterson mostra esta estrutura:

  • Uma introdução sobre a «magia dos israelitas», copiada de um livro de história da magia de Joseph Ennemoser (1844);
  • O Sexto Livro e o Sétimo Livro, com selos desenhados e as conjurações que os acompanham;
  • No Sétimo Livro, doze «tábuas» ligadas aos espíritos do ar, do fogo, da água, da terra e dos planetas;
  • Várias versões alternativas, com selos diferentes;
  • Apêndices sobre os nomes de Deus e o Shimmush Tehillim, o uso mágico dos Salmos.

Os selos ou «pentáculos»

Os selos são o elemento mais conhecido. São desenhos circulares com letras, nomes e figuras, na linha dos pentáculos da Clavícula de Salomão. Na crença de quem usa o livro, cada selo tem um fim próprio: proteção, sorte, riqueza, cura.

Descrevemos o livro como objeto histórico. Não reproduzimos as conjurações nem as instruções de uso.

➜ O pentáculo

➜ Como desenhar sigilos

A viagem do livro pelo mundo

Estados Unidos: o pow-wow

Houve uma edição alemã em Nova Iorque em 1865 e a primeira tradução inglesa, também em Nova Iorque, em 1880.

Entre os alemães da Pensilvânia (Pennsylvania Dutch), o livro entrou no mundo do pow-wow ou Braucherei, uma tradição de cura popular com orações e benzeduras. O livro de referência desta tradição era outro: Pow-Wows; or, Long Lost Friend, de John George Hohman (1820). O de Moisés era visto como mais perigoso, por conter «magia negra».

O hoodoo afro-americano

A editora de L. W. de Laurence, em Chicago, vendeu edições baratas por correspondência. O livro tornou-se uma peça central do hoodoo, a magia popular afro-americana do Sul dos EUA.

Entre 1936 e 1972, o folclorista Harry Middleton Hyatt entrevistou cerca de 1600 praticantes de hoodoo, e o livro é referido nesses registos.

Caraíbas: obeah e Rastafari

Na Jamaica, o livro tornou-se um dos textos centrais do obeah. É também referido nas origens do movimento revivalista e do Rastafari, no início do século XX. Em 1963, o grupo Toots and the Maytals gravou uma canção com o seu nome.

Segundo a Wikipédia, as publicações de De Laurence foram proibidas na Jamaica, no quadro das leis contra o obeah.

África Ocidental

Na Costa do Ouro (atual Gana) e na Nigéria, durante o período colonial, o livro foi visto como uma magia «ocidental», próxima da maçonaria ou do rosacrucianismo. Nos anos 1920, jornais nigerianos publicavam anúncios para o vender. Os selos usados na Igreja do Senhor (Aladura), na Nigéria, parecem inspirar-se nele.

Escandinávia

Na Suécia e na Finlândia, circulou como a «Bíblia Negra» (Den Svarta Bibeln, Musta Raamattu).

➜ Bruxaria africana

➜ Vodu do Haiti

Um livro com má fama

Em várias comunidades, como entre os alemães da Pensilvânia, o livro ganhou fama de perigoso. É uma crença popular, que também ajudou a torná-lo desejado.

Os historiadores veem nele outra coisa: um produto editorial de sucesso, que juntou tradições judaicas, cristãs e mágicas europeias e que cada cultura adaptou à sua maneira.

➜ A magia funciona mesmo?

Onde ler

Continue a ler

➜ Biblioteca de grimórios

➜ Cabala

➜ Petit Albert e Grand Albert

Fontes

  • «Sixth and Seventh Books of Moses», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Joseph H. Peterson (ed.), The Sixth and Seventh Books of Moses — esotericarchives.com
  • «Lauron William de Laurence», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Owen Davies, Grimoires: A History of Magic Books, Oxford University Press, 2009.

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