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📚 Grimórios

Os manuscritos mágicos da British Library

Guia dos manuscritos mágicos da British Library: as coleções Sloane, Harley e Royal, as cotas da Goécia e da Chave de Salomão, Hans Sloane e como consultar.

5 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. De onde vêm estas coleções
  2. Os manuscritos mais citados
  3. O que estes manuscritos mostram
  4. Como consultar
  5. Continue a ler
  6. Fontes

Quem lê sobre grimórios encontra sempre referências como «Sloane 3825» ou «Harley 6483». São cotas: o «endereço» de um manuscrito numa biblioteca. Muitas das mais famosas pertencem à British Library, em Londres.

Esta página é um guia. Explica de onde vêm estas coleções, que manuscritos mágicos guardam e como se podem consultar.

Indicamos apenas cotas confirmadas em edições ou catálogos fiáveis. As datas são as propostas pelos editores e podem variar.

De onde vêm estas coleções

Hans Sloane e o nascimento do British Museum

Sir Hans Sloane (1660–1753) foi médico e um colecionador incansável. Juntou mais de 71 000 objetos: livros, manuscritos, desenhos, moedas, plantas e curiosidades.

Deixou tudo à nação britânica, em troca de 20 000 libras, muito abaixo do valor real. Em 1753, o Parlamento aprovou a lei que aceitou o legado e criou o British Museum, aberto ao público em 1759.

Entre os manuscritos de Sloane havia dezenas de textos de magia, astrologia e alquimia, muitos copiados nos séculos XVI e XVII.

As coleções Harley e Royal

  • Harley — reunida por Robert Harley e pelo filho Edward. O Estado comprou-a em 1753 por 10 000 libras. Tem cerca de 7660 manuscritos.
  • Royal — a antiga biblioteca dos reis de Inglaterra, cerca de 2000 manuscritos, oferecida por Jorge II ao British Museum em 1757.

Em 1973, os manuscritos passaram do British Museum para a nova British Library. É por isso que edições antigas dizem «British Museum» e as recentes «British Library».

Os manuscritos mais citados

Descrevemos o que cada manuscrito contém. Não reproduzimos invocações.

A Goécia e o Lemegeton

Cota Conteúdo
Sloane 3825 Lemegeton (séc. XVII); base da edição da Goécia de J. H. Peterson
Sloane 2731 Lemegeton compilado de várias cópias (c. 1665 ou depois)
Sloane 3648 Outra cópia usada para comparar variantes
Harley 6483 Lemegeton (1712–1713), com acrescentos ligados a um «Dr. Rudd»

➜ Lemegeton, a Chave Menor de Salomão

➜ Goécia

A Chave de Salomão

Foi nestes fundos que Samuel Mathers trabalhou para a sua edição de 1889, The Key of Solomon the King.

Cota Conteúdo
Sloane 3847 The Clavicle of Solomon, revealed by Ptolomy the Grecian, em inglês, datado de 1572; uma das cópias mais antigas
Additional 10862 Versão latina (séc. XVII), a mais antiga das fontes de Mathers
Sloane 1307 Versão italiana (séc. XVII), misturada com outros textos
Sloane 3091 Versão francesa (séc. XVIII)
Harley 3981 Versão francesa (provavelmente séc. XVIII)
King's 288 Versão francesa (séc. XVIII)
Lansdowne 1202 As verdadeiras Chaves do rei Salomão, francês, séc. XVIII
Lansdowne 1203 As verdadeiras Chaves de Salomão, atribuídas a um «rabino Abognazar», séc. XVIII

➜ Chave de Salomão

➜ Samuel Liddell MacGregor Mathers

O Livro Jurado de Honório

Cota Conteúdo
Sloane 3854 Séc. XIV; considerada a cópia mais fiável
Sloane 313 Fim do séc. XIV ou início do XV; pertenceu a John Dee, com notas suas
Sloane 3885 Datada pelo papel de c. 1588
Royal 17 A XLII Meados do séc. XVI, em inglês; incompleta, com empréstimos de Agrippa

➜ Livro Jurado de Honório

Outros manuscritos famosos

Cota Conteúdo
Harley 5596 Manuscrito grego (séc. XV) da Hygromanteia, o Tratado Mágico de Salomão
Sloane 3826 Manuscrito inglês com o Liber Salomonis (Cephar Raziel), em sete tratados
Sloane 3824 Coleção do séc. XVII de conjurações para achar tesouros e recuperar objetos roubados
Sloane 3188 Diário de John Dee das conversas angélicas com Edward Kelley (1581–1583)

➜ Hygromanteia

➜ Sepher Raziel

➜ John Dee e Edward Kelley

O que estes manuscritos mostram

Folheados em conjunto, contam uma história que os livros impressos escondem:

  • Os grimórios não têm um texto fixo. Cada copista cortou, acrescentou e trocou nomes. Por isso as edições comparam várias cotas.
  • A maioria das cópias é tardia (séc. XVI–XVIII), mesmo quando o texto diz ser de Salomão ou de um papa.
  • Os leitores eram letrados: médicos, clérigos, colecionadores. A magia escrita circulava num meio culto.

Nada disto prova que os rituais tenham qualquer efeito. Prova que foram copiados, estudados e levados a sério durante séculos — e isso é história.

Como consultar

O catálogo

O catálogo de manuscritos chama-se Explore Archives and Manuscripts (searcharchives.bl.uk). Pesquisa-se pela cota, por exemplo «Sloane MS 3825».

Em outubro de 2023, a British Library sofreu um ataque informático que deixou muitos serviços em baixo durante meses. O catálogo de manuscritos voltou a estar em linha no fim de 2025, com ligações para as digitalizações disponíveis.

Digitalizações

A biblioteca tem milhares de manuscritos digitalizados, mas nem todos os mágicos estão disponíveis. A ficha do catálogo indica se há imagens.

Para muitos textos, o caminho mais prático são as edições impressas e as transcrições feitas a partir destas cotas, como as de Joseph H. Peterson no site Esoteric Archives.

Ver o original

Para ver um manuscrito em Londres é preciso um cartão de leitor (Reader Pass), gratuito, e pedir o documento na sala de manuscritos. Os mais frágeis ou já digitalizados podem ter acesso restrito.

Continue a ler

➜ Biblioteca de grimórios

➜ Magia enoquiana

➜ Magia renascentista

➜ Livros de magia recomendados

Fontes

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