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🏺 Tradição Portuguesa

Bruxas e feiticeiras famosas da história portuguesa

Feiticeiras e bruxos reais da história portuguesa, com processo e fonte: Arde-lhe-o-rabo, Luís de la Penha, Luzia Pinta, Domingos Álvares, e as lendas da Lagarrona.

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Neste artigo
  1. Pessoas documentadas
  2. Figuras de lenda
  3. Continue a ler
  4. Fontes

Portugal não teve grandes fogueiras de bruxas. Mas teve feiticeiras, curandeiros e adivinhos reais, com nome, terra e processo na Torre do Tombo.

Nesta página reunimos os casos mais conhecidos. Separamos com clareza pessoas documentadas (com processo ou estudo histórico) e figuras de lenda. Para cada uma indicamos a fonte.

Atenção: «bruxa» era uma acusação. Quase todas estas pessoas eram curandeiras, adivinhas ou simplesmente pobres e marginalizadas. Não sabemos o que cada uma «acreditava fazer» para além do que ficou escrito pelos seus juízes.

➜ Processos de feitiçaria na Inquisição portuguesa

Pessoas documentadas

As mulheres do processo de Lisboa (1559)

O caso mais duro da história portuguesa não foi da Inquisição: foi da justiça civil. Em 1559, em Lisboa, cinco mulheres acusadas de bruxaria foram condenadas e queimadas.

A rainha D. Catarina, regente, mandou depois fazer um inquérito geral: foram presas mais 27 pessoas, das quais uma foi executada. As outras foram presas, degredadas ou açoitadas. Os nomes das mulheres não são conhecidos do grande público.

Fonte: Brian P. Levack; Yvonne Cunha Rego (ed.), Feiticeiros, profetas e visionários, 1981.

Maria Gonçalves, a «Arde-lhe-o-rabo» (Estremoz – Aveiro – Bahia, séc. XVI)

Nascida em Estremoz, casada em Aveiro, foi degredada para Pernambuco e acabou na Bahia, onde viveu cerca de dez anos. Ficou conhecida pela alcunha «Arde-lhe-o-rabo».

Na Visitação do Santo Ofício à Bahia (1591–1593), várias mulheres acusaram-na de feitiços de amor, pacto com o Diabo e de dizer que afundava navios. Ela confessou que enganava os clientes. A sentença, de 24 de janeiro de 1593, foi leve: penitências e regresso a Portugal.

Fonte: Wikipédia, «Maria Gonçalves Cajada», a partir dos registos da Primeira Visitação do Santo Ofício ao Brasil.

Luís de la Penha, o bruxo de Évora (1581–1626)

Nascido em 1581, filho de pai castelhano, viveu toda a vida em Évora e tinha fama de curandeiro e adivinho. Foi preso em 1617 e reconciliado em 1619. Voltou a ser preso por rituais de procura de tesouros e foi executado em Évora em 1626.

É o caso mais citado de execução por feitiçaria decidida pela Inquisição portuguesa.

Fonte: processo PT/TT/TSO-IE/021/08179-1; Francisco Bilou, Boletim do Arquivo Distrital de Évora, 2015.

Antónia Maria (Beja, 1712–1723)

Mulher de Beja, presa em 1712 e degredada para Angola. Viveu depois no Recife e voltou a ser presa. Nas confissões invocava Maria Padilha em conjuros de amor. A sua história está contada em pormenor na página sobre Maria Padilha.

➜ Maria Padilha e a Inquisição portuguesa

Luzia Pinta (Luanda – Sabará – Lisboa, séc. XVIII)

Nascida em Luanda, levada escravizada para Sabará (Minas Gerais), comprou a liberdade em 1718. Dirigia cerimónias de calundu, uma prática de cura e adivinhação de origem angolana, frequentadas por gente de várias classes.

Foi presa em 1741, enviada para Lisboa, torturada e condenada a degredo em Castro Marim, no Algarve.

Fonte: estudo do historiador Douglas Lima, noticiado no Estado de Minas, maio de 2026.

Domingos Álvares (Benim – Brasil – Lisboa, c. 1710–depois de 1749)

Curandeiro nascido na região de Mahi (atual Benim), vendido como escravo para o Brasil. Em Pernambuco e no Rio de Janeiro ganhou fama de curador. Foi preso em 1742 e julgado em Lisboa: em 1744 foi açoitado e degredado para Castro Marim. Fugiu, foi novamente preso e voltou a ser julgado em 1749. Depois disso desaparece dos documentos.

Fonte: James H. Sweet, Domingos Álvares, African Healing, and the Intellectual History of the Atlantic World, 2011.

➜ Bruxaria africana e os africanos em Portugal

Arminda de Jesus (Soalhães, 1933): vítima da crença

O último caso desta lista é ao contrário: Arminda de Jesus não era feiticeira. Era uma mulher de Soalhães (Marco de Canaveses), acusada pelos vizinhos de bruxaria e de ter «o diabo no corpo».

A 25 de fevereiro de 1933 foi espancada e queimada viva. Em 1934, o tribunal de Marco de Canaveses condenou quatro réus a prisão e degredo. O pároco local atribuiu parte do clima de superstição ao Livro de São Cipriano.

É uma lembrança dura: o perigo, na história, esteve quase sempre do lado de quem acusava.

Fonte: Museu Virtual do Tribunal da Relação do Porto, «Processo de Soalhães».

Figuras de lenda

A Lagarrona, a «Feiticeira de Évora»

A mais famosa «bruxa» portuguesa é uma personagem de lenda. Surge num livro de 1739, a História das Antiguidades de Évora: uma moura com poderes mágicos que protege o filho apaixonado por uma cristã. Mais tarde entrou no Livro de São Cipriano como «A Feiticeira de Évora». Não há prova de que tenha existido.

➜ As bruxas de Évora: a lenda da Lagarrona e a história real

Maria Padilha

María de Padilla foi uma mulher real, amante do rei Pedro I de Castela (séc. XIV). A fama de feiticeira é lenda posterior. Mesmo assim, o nome passou a ser invocado em conjuros amorosos em Portugal e no Brasil.

Continue a ler

➜ Bruxaria em Portugal: um país sem caça às bruxas

➜ Os saludadores

➜ Benzedeiras e rezadeiras em Portugal

➜ Feitiçaria ou bruxaria: qual a diferença?

Fontes

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