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📚 Grimórios

Sepher Raziel: o Livro do Anjo Raziel

Sepher Raziel: o livro hebraico do anjo Raziel (impresso em 1701) e o Liber Razielis latino ligado a Afonso X. Origem, conteúdo, lenda e debate académico.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha do grimório
  2. A lenda: um livro dado a Adão
  3. O Sefer Raziel HaMalakh hebraico
  4. O Liber Razielis latino
  5. Hebraico e latino: não confundir
  6. Influência
  7. Onde ler
  8. Continue a ler
  9. Fontes

Com o nome Sepher Raziel (ou «Livro de Raziel») circularam, na verdade, duas obras diferentes. Uma é hebraica: o Sefer Raziel HaMalakh, «o livro de Raziel, o anjo». A outra é latina: o Liber Razielis, um tratado de magia angélica associado à corte de Afonso X de Castela.

Ambas partilham a mesma lenda — um livro de segredos entregue por um anjo a Adão — mas têm conteúdos, datas e histórias diferentes. Confundi-las é o erro mais comum sobre este grimório.

Ficha do grimório

Campo Informação
Título Sepher Raziel / Livro do Anjo Raziel
Nome original Sefer Raziel HaMalakh (hebraico); Liber Razielis (latim)
Período Hebraico: não antes do séc. XIII, com materiais mais antigos; latino: séc. XIII–XIV (datação discutida)
Origem Hebraico: meio judaico medieval; latino: Península Ibérica
Autoria Atribuída ao anjo Raziel e a Adão; autores reais desconhecidos
Idiomas Hebraico e aramaico; latim, castelhano, inglês
Tipo Angelologia, nomes divinos, astrologia, amuletos

A lenda: um livro dado a Adão

Segundo a lenda, depois da expulsão do Paraíso o anjo Raziel revelou a Adão os segredos do céu e da terra. O livro, ou o seu saber, teria passado depois a outros patriarcas.

Isto é tradição, não história. Serve para dar ao texto uma autoridade muito antiga, tal como acontece com os livros atribuídos a Salomão.

➜ O rei Salomão na tradição mágica

O Sefer Raziel HaMalakh hebraico

Origem real

A obra hebraica, tal como a conhecemos, não pode ser anterior ao século XIII. Algumas partes, porém, parecem vir da Antiguidade tardia. Os investigadores apontam como provável compilador Eleazar de Worms, mestre dos Hassidim da Renânia; Jacob Emden atribuiu-a a Abraão Abulafia.

A versão mais conhecida é a impressa em Amesterdão em 1701.

O que contém

Mistura cosmologia e prática: angelologia, usos mágicos do zodíaco, gematria, nomes de Deus, fórmulas de proteção e instruções para escrever amuletos. O texto trata as letras hebraicas e os nomes divinos como parte da própria ordem do mundo.

➜ A Cabala

➜ Magia judaica popular

O livro como amuleto

A página de rosto da edição de 1701 promete que quem guardar o livro terá proteção, incluindo contra o fogo em casa. Daí nasceu o costume, em algumas famílias judaicas, de ter o livro em casa como objeto protetor. É uma crença, registada na própria edição, e não um efeito demonstrado.

O Liber Razielis latino

A ligação a Afonso X

O Liber Razielis é uma compilação latina em sete livros: Clavis, Ala, Thymiama, Liber temporum, Liber mundicie et abstinentie, Sameyn e Liber magice. O sexto usa material do Sefer ha-Razim.

Um apêndice assinado por um tal Johannes Clericus afirma que a obra foi traduzida por ordem de Afonso X, o Sábio (rei de 1252 a 1284). Foi assim que se tornou habitual dizer que o livro nasceu na sua corte.

Um debate em aberto

Em 2012, a investigadora Damaris Gehr defendeu que essa ligação é uma ficção posterior: o apêndice seria de c. 1350–1376, e a compilação em sete livros ainda mal circularia em meados do século XIV. Outros autores, como Sebastià Giralt, apoiados em estudos de Alejandro García Avilés, continuam a ver laços com o círculo afonsino.

Conclusão honesta: a associação a Afonso X é antiga, mas não está provada e é discutida.

➜ Sefer ha-Razim, o Livro dos Mistérios

Hebraico e latino: não confundir

Obra O que é
Sefer Raziel HaMalakh Texto hebraico, cabalístico e de amuletos; impresso em 1701
Liber Razielis Compilação latina em sete livros, de magia angélica e astral

O latino não é uma simples tradução do hebraico: é uma obra nova, feita com materiais de várias origens.

Influência

A versão latina teve eco forte na magia cerimonial. O Heptameron, atribuído a Pedro de Abano, apoia-se nela. No século XV, Johannes Hartlieb condenou-a como necromancia, ao lado do Picatrix.

No século XVI circulou em Inglaterra uma versão chamada Sepher Raziel: Liber Salomonis, publicada modernamente por Don Karr e Stephen Skinner.

➜ O Heptameron

➜ Os sete arcanjos

Onde ler

A edição hebraica de 1701 está em domínio público e há exemplares digitalizados em bibliotecas. O Liber Razielis latino não tem uma edição portuguesa; as edições críticas modernas estão protegidas por direitos de autor.

Continue a ler

➜ Biblioteca de grimórios

➜ Angelologia

➜ Ars Notoria

➜ Magia medieval

Fontes

  • «Sefer Raziel HaMalakh», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Damaris Aschera Gehr, «La fittizia associazione del Liber Razielis in sette libri ad Alfonso X il Saggio…», Viator 43 (2012), pp. 181–207 — academia.edu
  • Fernando Riva, «Est Iste Liber Maximi Secreti: Alfonso X's Liber Razielis and the Secrets of Kingship», Neophilologus 104 (2020) — link.springer.com
  • Descrição da 1.ª edição (Amesterdão, 1701), Genazym Auctions — genazym.com
  • Don Karr e Stephen Skinner (eds.), Sepher Raziel: Liber Salomonis, col. Sourceworks of Ceremonial Magic.

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