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🏺 Tradição Portuguesa

Lugares de bruxaria e lendas em Portugal

Encruzilhadas, pontes, fontes e penedos com lendas de bruxas, mouras e diabos em Portugal: Misarela, Portela das Bruxas, Moura, Boca do Inferno e Montalegre.

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Neste artigo
  1. Porque estes lugares?
  2. Mapa rápido
  3. Pontes: a Ponte da Misarela
  4. Encruzilhadas: a Portela das Bruxas
  5. Fontes e torres: as mouras
  6. O mar: Boca do Inferno
  7. Romarias: São Bartolomeu do Mar
  8. Montalegre: uma tradição nova
  9. Continue a ler
  10. Fontes

Em Portugal, as histórias de bruxas, mouras e diabos quase nunca acontecem «em qualquer sítio». Acontecem numa encruzilhada, numa ponte, junto a uma fonte ou debaixo de um penedo.

Esta página mostra alguns desses lugares, com localização e fonte, e separa o que é lenda, o que é tradição viva e o que é facto.

Não é um guia de «locais assombrados». Relatos de fantasmas e fenómenos paranormais têm o seu lugar no site irmão PortugalParanormal.pt.

Porque estes lugares?

A ligação entre magia e certos lugares é muito antiga e está documentada.

No século VI, São Martinho de Dume, bispo de Braga, censurava os camponeses da Galécia por acenderem velas «junto às pedras, às árvores, às fontes e nas encruzilhadas». No original latino: ad petras et ad arbores et ad fontes et per trivia (De correctione rusticorum, cap. 16).

Mil anos depois, as lendas portuguesas continuam a pôr bruxas, mouras e diabos exatamente nesses lugares. São sítios de passagem, entre a aldeia e o monte, entre este mundo e o outro.

➜ São Martinho de Dume e as superstições dos camponeses

Mapa rápido

Lugar O que se conta
Ponte da Misarela (Montalegre / Vieira do Minho) Ponte do diabo; batismo de grávidas
Portela das Bruxas (Mação) Reuniões de bruxas em noites de lua cheia
Moura (Alentejo) Lenda da moura Salúquia, no brasão da cidade
Boca do Inferno (Cascais) Nome dado pelo mar; encenação de Crowley em 1930
São Bartolomeu do Mar (Esposende) Banho santo das crianças a 24 de agosto
Montalegre (Barroso) Noite das Bruxas nas sextas-feiras 13 (festa moderna)

Pontes: a Ponte da Misarela

Facto: a ponte fica sobre o rio Rabagão, entre Ruivães e Campos (Vieira do Minho) e Ferral (Montalegre). É medieval, foi reconstruída no início do século XIX e está classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1958. Em maio de 1809 foi palco de combates durante a retirada do exército francês do marechal Soult.

Lenda: um fugitivo prometeu a alma ao diabo em troca de uma ponte. Mais tarde, um padre repetiu o pedido e benzeu a ponte; o diabo desapareceu e a ponte ficou.

Tradição: a junta de freguesia regista, citando o padre José Carlos Alves Vieira, um costume de mulheres grávidas que tinham perdido filhos. Iam à ponte de madrugada e pediam ao primeiro desconhecido que passasse que lhes deitasse água do rio na barriga, em forma de cruz, num «batismo» do bebé ainda por nascer.

É uma prática popular de proteção, não um sacramento da Igreja. E não substitui o acompanhamento médico da gravidez.

➜ O diabo na tradição portuguesa

Encruzilhadas: a Portela das Bruxas

Em Mação (distrito de Santarém), as lendas locais recolhidas pelo município falam da Portela das Bruxas, perto da Aldeia de Santos. Seria o ponto de encontro das bruxas de várias aldeias vizinhas, em noites de lua cheia.

As mesmas lendas põem bruxas a dançar à meia-noite em encruzilhadas, junto à Ponte da Ladeira e em Envendos.

Lenda, não facto: não há qualquer documento sobre reuniões reais de bruxas. O padrão, porém, repete-se por todo o país: a encruzilhada como lugar de bruxas, almas e diabo.

➜ A encruzilhada

Fontes e torres: as mouras

As mouras encantadas vivem em fontes, poços, castelos e penedos. A lenda mais «oficial» de todas é a da moura Salúquia, na cidade de Moura (Alentejo).

Conta a lenda que a princesa Salúquia esperava o noivo, o alcaide de Aroche, morto numa emboscada por cavaleiros cristãos. Ao perceber o engano, atirou-se da torre. A lenda explica assim o nome da cidade, e o brasão de Moura mostra uma moura morta junto a uma torre.

Lenda: não há documento que prove a existência de Salúquia. O que é facto é que a lenda passou para a heráldica da cidade.

➜ As mouras encantadas

➜ O Ciprianillo e a procura de tesouros

O mar: Boca do Inferno

A Boca do Inferno, a oeste de Cascais, é uma cavidade nas rochas calcárias, provavelmente uma antiga gruta cujo teto abateu. O nome vem do aspeto do lugar e da violência das ondas. Não há uma lenda antiga de bruxaria associada.

A fama oculta é moderna: em setembro de 1930, o mago inglês Aleister Crowley encenou ali o seu falso suicídio, com a ajuda de Fernando Pessoa.

Cuidado: as arribas não têm proteção. Não se aproxime da beira.

➜ Crowley em Lisboa e a Boca do Inferno

Romarias: São Bartolomeu do Mar

Em São Bartolomeu do Mar (Esposende), a 24 de agosto, realiza-se o «banho santo». Famílias levam crianças ao mar para pedir ao santo proteção contra o medo, a gaguez e outros males. Muitas crianças dão três voltas à capela com uma galinha preta, que depois fica para a festa.

É uma tradição religiosa popular viva, com séculos. Problemas de fala, convulsões ou medos persistentes numa criança devem ser vistos pelo médico de família ou pediatra.

➜ O quebranto

Montalegre: uma tradição nova

Montalegre, no Barroso, tornou-se a «terra das bruxas» do turismo português. Desde 2002, cada sexta-feira 13 é celebrada com a Noite das Bruxas, um grande espetáculo de rua. O padre António Fontes prepara uma queimada.

Atenção: é uma festa moderna, inspirada no folclore, não um ritual antigo. A própria queimada com esconjuro é uma invenção galega do século XX.

➜ A queimada galega e o «conxuro»

➜ Trás-os-Montes: tradições mágicas

Continue a ler

➜ Bruxas e feiticeiras famosas da história portuguesa

➜ O signo-saimão

➜ Minho: bruxaria e superstições

➜ PortugalParanormal.pt, para relatos e locais «assombrados» — portugalparanormal.pt

Fontes

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