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💎 Cristais

Cristais: o mineral e a crença

Guia dos cristais no Grimório.pt: o que cada mineral é de facto, o que diz a tradição esotérica moderna, como limpar sem estragar e como evitar imitações.

Ametista, quartzo rosa, turmalina negra, selenita. Os cristais estão hoje em lojas esotéricas, feiras e altares de casa. Mas cada pedra tem duas histórias: a do mineral, que se estuda em geologia, e a do símbolo, que vem da tradição.

Nesta secção contamos as duas, sem as misturar. Em cada ficha encontra o que o mineral é, a sua história, o que se acredita sobre ele e os cuidados práticos para não o estragar nem ser enganado na compra.

Mineralogia e crença: duas coisas diferentes

A mineralogia é uma ciência. Diz-nos, por exemplo, que a ametista é quartzo (dióxido de silício), que tem dureza 7 na escala de Mohs e que a cor violeta vem de vestígios de ferro e de radiação natural. Isto mede-se e verifica-se em qualquer laboratório.

A crença é outra coisa. Diz, por exemplo, que a ametista «protege» ou «acalma». Estas ideias vêm de tradições antigas, do simbolismo das cores e, sobretudo, do movimento New Age do fim do século XX. São parte da cultura esotérica e merecem ser conhecidas, mas não são factos mineralógicos.

Uma nota honesta, dita uma vez: a chamada cristaloterapia não tem comprovação científica. Num estudo conhecido, conduzido pelo psicólogo Christopher French, as pessoas relataram as mesmas sensações com cristais verdadeiros e com imitações de vidro. Quem usa cristais como apoio à meditação ou à oração pode fazê-lo com todo o respeito, mas nenhuma pedra substitui o médico ou o psicólogo.

➜ New Age: de onde vem a moda dos cristais

As fichas dos cristais

Cristal O que é
Ametista Quartzo violeta; o nome grego quer dizer «não embriagado»
Citrino Quartzo amarelo; quase sempre ametista aquecida
Quartzo rosa Quartzo cor-de-rosa, quase sempre em massa
Quartzo transparente O «cristal de rocha» dos antigos
Selenita Gesso transparente; muito mole e sensível à água
Turmalina negra Schorl, a turmalina mais comum; existe em Portugal
Obsidiana Vidro vulcânico natural; há nos Açores
Labradorita Feldspato com reflexos azuis e verdes
Pedra do sol Feldspato com brilho de cobre ou hematite

Guias práticos

Guia Para quê
Como limpar cristais Métodos seguros para cada tipo de pedra
Como usar cristais Usos tradicionais, com bom senso
Cristais para o amor O que diz a tradição sobre as pedras «do coração»
Cristais para dinheiro Citrino, pirite, aventurina: símbolo e mineral

Três regras antes de comprar

1. Saiba a dureza. A escala de Mohs vai de 1 (talco) a 10 (diamante). A selenita (2) risca-se com a unha. O quartzo (7) risca o vidro. Pedras moles estragam-se com água, sal ou atrito.

2. Desconfie de nomes bonitos. Muitos nomes comerciais escondem vidro ou pedras tratadas. O «citrino» barato é quase sempre ametista aquecida. A «pedra do sol» cheia de pontinhos de cobre é muitas vezes goldstone, um vidro fabricado. A «obsidiana» azul ou verde transparente é, em regra, vidro.

3. Pergunte a origem. Uma loja séria sabe dizer de onde vem a pedra e se foi tratada. Muitos cristais vêm de minas com más condições de trabalho, por exemplo em Madagáscar. Comprar menos e melhor também é uma escolha.

Os cristais em Portugal

Portugal tem uma tradição mineira antiga. Nos filões de quartzo da Panasqueira (Covilhã) formaram-se cristais famosos entre colecionadores de todo o mundo, e ali também ocorre turmalina. Nos Açores há obsidiana, por exemplo no Pico Alto, na ilha Terceira. E no Alentejo, a Faixa Piritosa Ibérica (Aljustrel, Neves-Corvo, São Domingos) é uma das maiores regiões de pirite da Europa.

A tradição popular portuguesa, porém, usava pouco os cristais. As benzedeiras recorriam a ervas, sal, azeite e orações. A moda dos cristais é recente e chegou sobretudo através de livros ingleses, norte-americanos e brasileiros.

➜ Amuletos e talismãs

➜ Ervas mágicas

Continue a ler

➜ Cristais para proteção

➜ Chakras

➜ Meditação

➜ Diferença entre amuleto e talismã

Fontes

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