A letra M é uma das mais ricas do vocabulário mágico: começa com a própria palavra magia e passa pelo mau-olhado, pela mandrágora e pelas mouras encantadas do folclore português.
Cada termo tem uma definição curta. Quando existe página própria no Grimório.pt, encontra a ligação «Ler mais».
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Macumba
No Brasil, nome dado a cerimónias religiosas de origem africana com influência cristã, com cantos, danças e tambores. Popularmente passou a significar «feitiço» ou «despacho», uso que muitos praticantes consideram pejorativo.
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Magia
Conjunto de práticas que procuram influenciar acontecimentos através de rituais, palavras, símbolos ou objetos, segundo a crença de quem as pratica. Os historiadores estudam-na como fenómeno cultural, ao lado da religião e da ciência.
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Magia branca
Designação popular da magia com fins considerados benéficos: proteção, cura, amor. A divisão entre «branca» e «negra» é moral e cultural, não técnica.
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Magia cerimonial
Magia erudita, com rituais longos, instrumentos consagrados e invocações, baseada nos grimórios e na tradição hermética.
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Magia do caos
Corrente surgida em Inglaterra nos anos 1970, inspirada em Austin Osman Spare. Trata as crenças como ferramentas que se podem trocar.
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Magia enoquiana
Sistema baseado nas sessões de John Dee e Edward Kelley (década de 1580), com uma língua e um alfabeto próprios, mais tarde adotado pela Golden Dawn.
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Magia negra
Designação popular da magia usada para prejudicar ou dominar. Historicamente, a acusação de «magia negra» serviu muitas vezes para perseguir pessoas.
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Mago
Na origem, os magoi eram sacerdotes da antiga Pérsia; daí vem a palavra «magia» e os Reis Magos do Evangelho. Hoje designa quem pratica magia, sobretudo a cerimonial. É também o primeiro arcano maior do tarot.
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Maias
Flores de giesta postas nas portas e janelas no 1.º de Maio, tradição popular portuguesa ligada à chegada da primavera.
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Mandala
Diagrama circular sagrado do hinduísmo e do budismo, usado como apoio à meditação. Carl Jung estudou-o como símbolo psicológico.
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Mandrágora
Planta mediterrânica (género Mandragora) de raiz com forma humana, rodeada de lendas: diz-se que gritava ao ser arrancada. É muito tóxica e não deve ser usada.
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Mantra
Palavra ou fórmula sagrada repetida na oração e na meditação, nas tradições hindu e budista. O mais conhecido é o Om.
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Maria Padilha
Amante do rei Pedro I de Castela (século XIV). O seu nome passou para orações de feitiçaria julgadas pela Inquisição e, mais tarde, para uma pombagira da Umbanda e da Quimbanda.
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Martinismo
Corrente de esoterismo cristão nascida em França no século XVIII, ligada a Martinès de Pasqually e Louis-Claude de Saint-Martin, e reorganizada por Papus em 1891.
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Mau-olhado
Crença, muito antiga e espalhada pelo Mediterrâneo, de que o olhar de inveja pode causar mal a pessoas, animais ou colheitas. Em Portugal combate-se com benzeduras, figas e rezas.
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Meditação
Prática de concentração e atenção comum a muitas religiões. Há estudos sobre efeitos no stresse, mas não substitui tratamento médico.
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Médium
No espiritismo, pessoa que afirma servir de intermediária entre os vivos e os espíritos. A mediunidade é uma crença religiosa, sem comprovação científica.
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Mefistófeles
Demónio da lenda de Fausto, que aparece no livro popular alemão de 1587 e depois em Marlowe e Goethe, sempre ligado ao pacto.
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Missa negra
Paródia sacrílega da missa católica. Os relatos mais famosos vêm do «caso dos venenos» em França (1679–1682); muitos outros são literatura ou acusação.
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Mónada
Na filosofia antiga, a unidade de onde tudo procede. John Dee deu o nome a um símbolo composto na sua Monas Hieroglyphica (1564).
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Mouras encantadas
Figuras do folclore português: mulheres presas por um encantamento em fontes, penedos ou castelos, guardando tesouros. São lendas, não história.
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Outras letras
➜ Letra L
➜ Letra N
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Fontes
- Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, «macumba» — https://dicionario.priberam.org/macumba
- Owen Davies, Grimoires: A History of Magic Books, Oxford University Press, 2009.
- J. Leite de Vasconcelos, Tradições Populares de Portugal, Porto, 1882.
- Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, Dicionário dos Símbolos, Teorema, Lisboa.