Um símbolo é uma forma simples que carrega muito mais do que aquilo que mostra. Uma estrela de cinco pontas pode ser um sinal de saúde para os antigos gregos, um amuleto numa porta do Minho ou o emblema de um grupo ocultista do século XIX.
Nesta enciclopédia explicamos cada símbolo com rigor: o que é, onde aparece pela primeira vez, o que significou em cada cultura e o que lhe acrescentaram as tradições esotéricas modernas.
Separamos sempre a história documentada da interpretação esotérica. As duas têm interesse, mas não são a mesma coisa.
Os símbolos, um a um
| Símbolo | Em poucas palavras |
|---|---|
| Pentagrama ⛤ | Estrela de cinco pontas: dos pitagóricos à magia moderna |
| Hexagrama ✡ | Estrela de seis pontas: estrela de David e selo de Salomão |
| Cruz ✝ | Das formas pré-cristãs à cruz de Cristo portuguesa |
| Triskele | Tripla espiral, presente na cultura castreja |
| Espiral | Um dos motivos mais antigos da arte humana |
| Círculo e círculo mágico | O espaço protegido dos grimórios |
| Triângulo △ | Elementos alquímicos, Trindade e «triângulo da arte» |
| Ankh ☥ | O sinal egípcio da vida |
| Olho de Hórus 𓂀 | O udjat, amuleto egípcio de proteção |
| Om ॐ | A sílaba sagrada da Índia |
| Yin-yang ☯ | Os opostos complementares do pensamento chinês |
| Lua ☽ | O crescente: da Mesopotâmia à Senhora da Conceição |
| Serpente | Cura, sabedoria, tentação e o ouroboros |
| Borboleta | A alma e a transformação |
Guias práticos
➜ Símbolos de proteção: os mais usados e a sua história
➜ Sigilos: o que são e como se desenham
Como ler um símbolo em contexto
O erro mais comum é pensar que cada símbolo tem um único significado, fixo e eterno. Não tem. O sentido depende de quem o usa, onde e quando.
1. Onde e quando aparece?
Uma suástica numa pedra castreja da Idade do Ferro, num templo hindu e numa bandeira de 1935 são o mesmo desenho, mas não são o mesmo símbolo. Antes de interpretar, pergunte: que época, que lugar, que grupo?
2. Quem o usa?
O hexagrama é hoje o símbolo do judaísmo. Mas durante séculos foi também um sinal mágico usado por cristãos e muçulmanos, conhecido como selo de Salomão. O mesmo desenho mudou de dono várias vezes.
3. Há texto que o explique?
Muitas vezes não sabemos o que um símbolo significava. Os povos castrejos não deixaram escritos a explicar os seus trísceles. Quando alguém afirma um significado antigo «certo», convém perguntar: onde está escrito?
4. É história ou interpretação moderna?
Muitos significados que circulam na internet foram criados nos séculos XIX e XX, por ocultistas como Éliphas Lévi, a Golden Dawn ou autores da Wicca. Têm interesse para quem estuda essas tradições, mas não são «o significado original».
5. Em que posição e com que cores?
A orientação conta. O pentagrama com uma ponta para baixo só passou a ser lido como sinal do mal no século XIX. A cor, o material e os objetos à volta também mudam a leitura.
História e interpretação: como as separamos
Em cada página vai encontrar estas distinções:
- Facto histórico: o que está documentado em objetos, inscrições ou textos datados.
- Tradição popular: o que se fazia e dizia, por exemplo em Portugal, registado por etnógrafos.
- Interpretação esotérica: o que as escolas ocultistas e mágicas atribuíram ao símbolo.
- Crença: aquilo em que as pessoas acreditam, sem que isso prove que o símbolo tenha efeitos.
Um símbolo pode ser importante para quem acredita nele. Mas nenhum símbolo garante proteção, sorte ou resultados.
Símbolos com raízes portuguesas
Alguns símbolos têm uma história própria em Portugal:
- Trísceles e suásticas castrejas, gravados em pedra na Idade do Ferro, no Noroeste da Península (Citânia de Briteiros, Sabroso).
- Signo-saimão, nome popular do «selo de Salomão», usado como sinal de proteção e estudado pelo etnógrafo José Leite de Vasconcelos.
- Cruz de Cristo, da Ordem de Cristo criada em 1319, que seguiu nas velas das caravelas.
- Figa e ferradura, amuletos populares ainda comuns.
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Fontes
- J. Leite de Vasconcelos, Signum Salomonis. A Figa. A Barba em Portugal, Etnográfica Press (reed.) — OpenEdition
- Gershom Scholem, «The Curious History of the Six-Pointed Star», Commentary, 1949 — commentary.org
- Sociedade Martins Sarmento, Citânia de Briteiros — csarmento.uminho.pt
- J. C. Cooper, An Illustrated Encyclopaedia of Traditional Symbols, Thames & Hudson, 1978