A história das bruxas em Portugal é uma história de resistência. Durante séculos, a Inquisição perseguiu, torturou e matou quem praticava ou era suspeito de praticar artes mágicas. E ainda assim, a tradição sobreviveu — transmitida em segredo de geração em geração.
As Raízes Pré-Cristãs
Antes do Cristianismo, a Península Ibérica era habitada por povos celtas, lusitanos, e depois romanos — todos com as suas tradições de magia, adivinhação, e comunicação com o mundo espiritual. As sacerdotisas celtas, as matronas romanas, as curandeiras lusitanas — são as antepassadas das bruxas portuguesas medievais.
A Idade Média — O Surgimento da "Bruxa"
Com a cristianização da Península, as práticas espirituais tradicionais foram sendo demonizadas. O que antes era curandeirismo e comunicação com os espíritos da natureza tornou-se "bruxaria" — associada ao diabo. A figura da bruxa portuguesa medieval era frequentemente simplesmente uma mulher com conhecimento das ervas, das fases lunares, e das forças invisíveis.
A Inquisição Portuguesa — O Grande Terror
O Tribunal do Santo Ofício foi estabelecido em Portugal em 1536. Durante os dois séculos seguintes, perseguiu brutalmente quem praticava ou era suspeito de bruxaria. As Bruxas de Évora, os casos documentados de feiticeiras do Alentejo e do Minho, os autos-de-fé onde praticantes foram queimados — formam um capítulo negro da história portuguesa.
A Sobrevivência da Tradição
Mas a Inquisição nunca conseguiu extinguir completamente a tradição. As práticas sobreviveram nas benzedeiras dos aldeões, nas curandeiras do interior, nas mulheres que continuaram a transmitir de mãe para filha o conhecimento das ervas, das orações, dos rituais de amor e protecção.
O Presente — Uma Tradição Viva
Hoje, a tradição bruxeril portuguesa vive — em praticantes como o Mestre Cruz que preservam e aplicam este conhecimento ancestral. Não como folclore ou teatro, mas como prática real ao serviço de quem precisa.